Elves From The Woods

Bem, este poema está ligeiramente diferente dos últimos que cá tenho deixado e até talvez diria ligeiramente diferente do que é costume. Bem, o que o motivou foi novamente esta sociedade, uma sociedade que perdeu a capacidade de sentir, a mais preciosa do ser humano e o próprio motivo da vida deste. Lentamente, estamos a sacrificar os nossos sentimentos por conceitos pré-estabelecidos, estamos a sacrificar o que de melhor temos, a nossa capacidade de avaliar pelo sentimento por frases soltas, escritas ou estabelecidas pela sociedade, que generalizam o que não pode ser generalizado, a infinidade do mundo, e nos tiram a capacidade que nos foi dada enquanto humanos de saber avaliar o mundo e até mesmo viver nele. Já não sabemos ver com a alma, apenas com os olhos e o cérebro através de coisas tão ridículas como "matematizações da vida". Novamente o nosso país mostrou isso fortemente, numa altura em que num jornal se vê um cabeçalho a anunciar a morte de uma pessoa, a notícia inteira por baixo e por baixo do cabeçalho a letras enormes e da notícia por baixo, vê-se a letras bem mais pequenas que as do cabeçalho a "notícia menor" de que morreram outras 6 pessoas. O que faz disso uma "notícia menor"? Ao contrário do outro, não eram famosos, e pelos vistos para este mundo de hoje isso faz deles menos humanos. Vivemos numa sociedade fria e sem capacidade de julgar e até mesmo sentir este mundo, o ser humano perde lentamente aquilo que é, reduzindo-se a simples máquinas de processar dados, que sempre que possível resumem a dados estatísticos. Sentir a beleza deste mundo é algo que já saíu da capacidade de quase todo o "ser humano", então se falarmos em algo ainda mais profundo (mas que devia ser um objectivo humano) como harmonizar com a Natureza e sentir os ciclos dela dentro de nós, disso nem sequer se consegue imaginar a hipótese relativamente à esmagadora maioria das pessoas que habitam este mundo. Isto é claro, culpa dos media mas não menos daqueles que vão atrás, que colaboram com esta palhaçada pública, que contribuem para o extermínio lento da nossa raça, que se vai aniquilando por dentro, sugando a própria alma e vida. Bem, foi isto tudo que me levou a escrever este poema. O poema é uma mistura de revolta perante este mundo e homenagem àqueles que nele resistem. Falando em homenagens, queria deixar com este poema uma homenagem específica a certas pessoas, as quais contribuem para o significado que este poema tem, alguns deles verdadeiros "Elves from the woods":
Inês - Já te mencionei aqui várias vezes e volto a fazê-lo, de todas as pessoas que conheço acabas por ser no fundo a que mais se ajusta à minha ideia desses "Elves from the woods", e quero referir novamente que há pouca coisa melhor do que encontrar em alguém todo esse espírito, desde a capacidade de sentir profundamente à "sede de batalha" perante este mundo, é de almas como a tua que este mundo precisa, só é pena realmente serem tão poucas, mas como dissemos hoje, "sabe bem resistir". A propósito, uma menção especial ao facto de ter sido aquela conversa contigo que deu o "toque final" que me levou a escrever isso, há que mencionar isso também
Pedro - Bem, em primeiro lugar, parabéns, é a palavra que mais me ocorre perante o que vou mencionar. Tens tido grandes evoluções ultimamente e acho também que te andas a encontrar cada vez mais, e sobretudo a encontrares-te cada vez mais com o sentimento, que é o mais precioso que o ser humano pode ter. Já quando andávamos no inferno eras das poucas pessoas em que eu via potencial, e já depois de saír de lá e tu lá teres ficado continuei a ver esse potencial na alma e agora que também de lá saíste (e eu disse logo que te ía fazer bem) esse potencial cada vez mais se está a tornar em força pura. Apesar de tantas opiniões contra à tua volta ao longo do tempo, não deixas abater as tuas ideias, ideais ou sentimentos e isso é uma coisa mesmo muito importante especialmente nos dias de hoje. Espero que, tal como acontece comigo desde há um ano, essa evolução continue e te torne alguém com cada vez mais força interior, cada vez mais tens os ingredientes para percorrer esse caminho cada vez mais fundo. É bom saber que não me enganei nada quando vi potencial no meio de tantas chamas naquele inferno.
Luna - Bem, não te conheço, nem nunca sequer falei contigo mas sei que tens ajudado muito a Inês, principalmente nestes últimos tempos, e com isso ajudaste-a também a despertar mais uma grande quantidade dessa alma que eu referi acima, só por essa ajuda que lhe tens dado já te agradeço imenso, e sobretudo, e é precisamente este o contexto, sei também que és mais uma pessoa que sente, que sente e muito, mesmo quando o mundo à tua volta se mostra completamente frio e sem sentimentos contigo. A vida nunca foi nada justa contigo, mas isso torna a tua força algo ainda mais de se admirar. Acima de tudo, não percas a esperança, tenho a certeza que a vida ainda te vai dar aquilo que mereces e que ainda vais ser recompensada por aquilo que és. Se há alguém neste mundo que merece ver a felicidade és tu. Uma alma como a tua é um exemplo para todo este mundo. Parabéns a ti também, pela tremenda força que mostras neste mundo tão frio e hostil.
Epica - Bem, há mais bandas que eu gostaria de mencionar que têm também esse efeito de resistência perante este mundo tão frio, mas este é um caso que não poderia deixar de mencionar, letras como a Consign to Oblivion são uma verdadeira pérola nesta sociedade que polui este mundo e condenam de uma maneira excelente o veneno que nela flui.
Boaventura de Sousa Santos - Por quase tudo o que está escrito em "Um discurso sobre as ciências", é algo de excelente no meio desta sociedade ver semelhantes palavras escritas, e é acima de tudo de admirar semelhantes palavras escritas num texto que tem como tema as ciências, passagens como "...sem nada de divino senão o nosso desejo de harmonia e comunhão com tudo o que nos rodeia e que, vemos agora, é o mais íntimo de nós." ou "...o conhecimento científico moderno é um conhecimento desencantado e triste que transforma a Natureza num autómato" e outras que referem conceitos tão importantes mas tão pouco aceites como a personalidade da Natureza, principalmente num texto que anda em volta das ciências é algo que já quase não se encontra hoje e que se deve valorizar. É bom poder ler algo assim de vez em quando no meio de um mundo tão morto por dentro como este.
Deixei para o fim a maior de todas as homenagens, à Natureza obviamente, se todas estas almas que referi são importantes, é Ela que as une a todas e que une também todas as energias deste mundo, que tem no próprio funcionamento a harmonia tão profunda e única entre tudo o que existe e que muito felizmente nos é possibilitado a nós, humanos, sentir. Se há gente que tem a força para resistir neste mundo, é Ela que nos dá essa força, e muito tem feito por mim ultimamente e eu agradeço imenso por isso.
Quanto à imagem, deu-me uma trabalheira "recortar" a "personagem" mas acho que valeu a pena, acho que transmitiu bem o espírito do poema. Após um (talvez demasiado) longo texto, deixo então os versos de que falo:
In a world so cold
Where feelings fall
Exchanged for gold
We witness it all
In a world where humans lost their might
Walking towards spiritual death
With all our energy we fight
All our souls bound by the Earth
Creatures who reject their soul
Drowining in their bloodstained sea
And in this world so cold and foul
We take shelter under a tree
Once gifted with the brightest power
And blessed with Nature's spell
But now fallen from the highest tower
Down into the deepest hell
They threw their life and soul away
For tokens of a false existence
And strayed from Nature's sacred way
Erased from them Her blessed presence
They burned their feelings into nothingness
Erasing the essence of humanity
But we'll stay with the Earth until the end
To protect such sacred entity
Slowly they let their feelings flee
Weakly reduced to their minds
And we stare from the top of a tree
Like elves from the woods
They dropped their heart in the wastelands of greed
Now rotting under blood red clouds
But we'll fight for the Earth until they bleed
Like elves from the woods


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