sexta-feira, abril 21, 2006

Elves From The Woods


Bem, este poema está ligeiramente diferente dos últimos que cá tenho deixado e até talvez diria ligeiramente diferente do que é costume. Bem, o que o motivou foi novamente esta sociedade, uma sociedade que perdeu a capacidade de sentir, a mais preciosa do ser humano e o próprio motivo da vida deste. Lentamente, estamos a sacrificar os nossos sentimentos por conceitos pré-estabelecidos, estamos a sacrificar o que de melhor temos, a nossa capacidade de avaliar pelo sentimento por frases soltas, escritas ou estabelecidas pela sociedade, que generalizam o que não pode ser generalizado, a infinidade do mundo, e nos tiram a capacidade que nos foi dada enquanto humanos de saber avaliar o mundo e até mesmo viver nele. Já não sabemos ver com a alma, apenas com os olhos e o cérebro através de coisas tão ridículas como "matematizações da vida". Novamente o nosso país mostrou isso fortemente, numa altura em que num jornal se vê um cabeçalho a anunciar a morte de uma pessoa, a notícia inteira por baixo e por baixo do cabeçalho a letras enormes e da notícia por baixo, vê-se a letras bem mais pequenas que as do cabeçalho a "notícia menor" de que morreram outras 6 pessoas. O que faz disso uma "notícia menor"? Ao contrário do outro, não eram famosos, e pelos vistos para este mundo de hoje isso faz deles menos humanos. Vivemos numa sociedade fria e sem capacidade de julgar e até mesmo sentir este mundo, o ser humano perde lentamente aquilo que é, reduzindo-se a simples máquinas de processar dados, que sempre que possível resumem a dados estatísticos. Sentir a beleza deste mundo é algo que já saíu da capacidade de quase todo o "ser humano", então se falarmos em algo ainda mais profundo (mas que devia ser um objectivo humano) como harmonizar com a Natureza e sentir os ciclos dela dentro de nós, disso nem sequer se consegue imaginar a hipótese relativamente à esmagadora maioria das pessoas que habitam este mundo. Isto é claro, culpa dos media mas não menos daqueles que vão atrás, que colaboram com esta palhaçada pública, que contribuem para o extermínio lento da nossa raça, que se vai aniquilando por dentro, sugando a própria alma e vida. Bem, foi isto tudo que me levou a escrever este poema. O poema é uma mistura de revolta perante este mundo e homenagem àqueles que nele resistem. Falando em homenagens, queria deixar com este poema uma homenagem específica a certas pessoas, as quais contribuem para o significado que este poema tem, alguns deles verdadeiros "Elves from the woods":

Inês - Já te mencionei aqui várias vezes e volto a fazê-lo, de todas as pessoas que conheço acabas por ser no fundo a que mais se ajusta à minha ideia desses "Elves from the woods", e quero referir novamente que há pouca coisa melhor do que encontrar em alguém todo esse espírito, desde a capacidade de sentir profundamente à "sede de batalha" perante este mundo, é de almas como a tua que este mundo precisa, só é pena realmente serem tão poucas, mas como dissemos hoje, "sabe bem resistir". A propósito, uma menção especial ao facto de ter sido aquela conversa contigo que deu o "toque final" que me levou a escrever isso, há que mencionar isso também

Pedro - Bem, em primeiro lugar, parabéns, é a palavra que mais me ocorre perante o que vou mencionar. Tens tido grandes evoluções ultimamente e acho também que te andas a encontrar cada vez mais, e sobretudo a encontrares-te cada vez mais com o sentimento, que é o mais precioso que o ser humano pode ter. Já quando andávamos no inferno eras das poucas pessoas em que eu via potencial, e já depois de saír de lá e tu lá teres ficado continuei a ver esse potencial na alma e agora que também de lá saíste (e eu disse logo que te ía fazer bem) esse potencial cada vez mais se está a tornar em força pura. Apesar de tantas opiniões contra à tua volta ao longo do tempo, não deixas abater as tuas ideias, ideais ou sentimentos e isso é uma coisa mesmo muito importante especialmente nos dias de hoje. Espero que, tal como acontece comigo desde há um ano, essa evolução continue e te torne alguém com cada vez mais força interior, cada vez mais tens os ingredientes para percorrer esse caminho cada vez mais fundo. É bom saber que não me enganei nada quando vi potencial no meio de tantas chamas naquele inferno.

Luna - Bem, não te conheço, nem nunca sequer falei contigo mas sei que tens ajudado muito a Inês, principalmente nestes últimos tempos, e com isso ajudaste-a também a despertar mais uma grande quantidade dessa alma que eu referi acima, só por essa ajuda que lhe tens dado já te agradeço imenso, e sobretudo, e é precisamente este o contexto, sei também que és mais uma pessoa que sente, que sente e muito, mesmo quando o mundo à tua volta se mostra completamente frio e sem sentimentos contigo. A vida nunca foi nada justa contigo, mas isso torna a tua força algo ainda mais de se admirar. Acima de tudo, não percas a esperança, tenho a certeza que a vida ainda te vai dar aquilo que mereces e que ainda vais ser recompensada por aquilo que és. Se há alguém neste mundo que merece ver a felicidade és tu. Uma alma como a tua é um exemplo para todo este mundo. Parabéns a ti também, pela tremenda força que mostras neste mundo tão frio e hostil.

Epica - Bem, há mais bandas que eu gostaria de mencionar que têm também esse efeito de resistência perante este mundo tão frio, mas este é um caso que não poderia deixar de mencionar, letras como a Consign to Oblivion são uma verdadeira pérola nesta sociedade que polui este mundo e condenam de uma maneira excelente o veneno que nela flui.

Boaventura de Sousa Santos - Por quase tudo o que está escrito em "Um discurso sobre as ciências", é algo de excelente no meio desta sociedade ver semelhantes palavras escritas, e é acima de tudo de admirar semelhantes palavras escritas num texto que tem como tema as ciências, passagens como "...sem nada de divino senão o nosso desejo de harmonia e comunhão com tudo o que nos rodeia e que, vemos agora, é o mais íntimo de nós." ou "...o conhecimento científico moderno é um conhecimento desencantado e triste que transforma a Natureza num autómato" e outras que referem conceitos tão importantes mas tão pouco aceites como a personalidade da Natureza, principalmente num texto que anda em volta das ciências é algo que já quase não se encontra hoje e que se deve valorizar. É bom poder ler algo assim de vez em quando no meio de um mundo tão morto por dentro como este.

Deixei para o fim a maior de todas as homenagens, à Natureza obviamente, se todas estas almas que referi são importantes, é Ela que as une a todas e que une também todas as energias deste mundo, que tem no próprio funcionamento a harmonia tão profunda e única entre tudo o que existe e que muito felizmente nos é possibilitado a nós, humanos, sentir. Se há gente que tem a força para resistir neste mundo, é Ela que nos dá essa força, e muito tem feito por mim ultimamente e eu agradeço imenso por isso.

Quanto à imagem, deu-me uma trabalheira "recortar" a "personagem" mas acho que valeu a pena, acho que transmitiu bem o espírito do poema. Após um (talvez demasiado) longo texto, deixo então os versos de que falo:





In a world so cold
Where feelings fall
Exchanged for gold
We witness it all

In a world where humans lost their might
Walking towards spiritual death
With all our energy we fight
All our souls bound by the Earth

Creatures who reject their soul
Drowining in their bloodstained sea
And in this world so cold and foul
We take shelter under a tree

Once gifted with the brightest power
And blessed with Nature's spell
But now fallen from the highest tower
Down into the deepest hell

They threw their life and soul away
For tokens of a false existence
And strayed from Nature's sacred way
Erased from them Her blessed presence

They burned their feelings into nothingness
Erasing the essence of humanity
But we'll stay with the Earth until the end
To protect such sacred entity

Slowly they let their feelings flee
Weakly reduced to their minds
And we stare from the top of a tree
Like elves from the woods

They dropped their heart in the wastelands of greed
Now rotting under blood red clouds
But we'll fight for the Earth until they bleed
Like elves from the woods

segunda-feira, abril 17, 2006

Path of Infinity


Bem, este é o outro poema que já escrevi há um tempo (dia 4 ou 5 deste mês) mas que não tinha deixado aqui na altura. Bem, este é especial, muito especial, não pelo conteúdo que ele próprio tem mas pelo motivo porque foi escrito, pelo acontecimento que trouxe o tipo de sentimento e energia que me levou a escrevê-lo. Trata-se de um dia que já esperava há muito, e que no fundo posso dizer que já esperava antes de saber que o esperava, trata-se de algo que há muito ocupava a minha alma (e teve a sua utilidade na altura e foi uma das principais coisas que me tornou aquilo que sou hoje, posso dizer que foi das coisas mais essenciais na minha vida apesar de tudo) e que foi finalmente enterrado; trata-se de um ciclo que se fechou exactamente um ano (mais dia menos dia) depois de se ter iniciado, justamente na Primavera, quando até o ciclo da Natureza se reinicia, mais uma prova de que ela vive em todos nós. Bem, esse ciclo foi no mínimo das coisas mais importantes em toda a minha vida e, juntamente com outros factores, tornou-me aquilo que sou hoje. Posso dizer que quando esse ciclo começou, nasceu a pessoa que eu sou hoje. Tendo esse ciclo completado a sua tarefa, e tendo formado aquilo que sou hoje, também teria a sua altura de acabar, que foi exactamente o que aconteceu no dia 4 deste mês. Tendo este ciclo acabado, tendo eu feito aquilo que esperei 1 ano pra fazer, tendo eu cumprido finalmente o objectivo que criei quando este ciclo se iniciou, tendo finalmente eu enterrado esse assunto que há um ano ocupava a minha alma (e volto a referir, que a acordou), veio até mim o sentimento que me levou a escrever este poema. Um sentimento muito bom, não só de ter cumprido com a minha tarefa (essa parte nem vem referida no poema, talvez muito muito remotamente se possa identificá-la nos primeiros dois versos) mas de liberdade e sobretudo de olhar para a frente e ver a infinidade, a beleza da infinidade. Aquela sensação de, depois de ter enterrado esse assunto, esse objectivo, poder dedicar-me inteiramente à minha alma e ao que lhe dá energia, e sobretudo à Natureza, a qual tem entrado em mim de uma maneira cada vez mais forte e à qual me tenho unido cada vez mais, é esse sentimento que este poema pretende captar. Novamente, seria um crime não mencionar que o dia que me permitiu escrever essas palavras não teria sido possível não fosse novamente a ajuda de uma grande pessoa chamada Inês que já aqui referi várias vezes por motivos semelhantes, que foi quem me fez ver que este dia teria de chegar, quem me mostrou as correntes que me seguravam e também como quebrá-las, eu posso ter travado a batalha pra ver este dia mas foi ela que me fez ver o campo de batalha e me deu a força para avançar. Neste ciclo que se fechou há muita coisa que ficou enterrada mas toda a energia, força interior e experiência do que aconteceu permanecerão até ao fim e o mesmo acontece com toda a ajuda que me deste com isto tudo, e eu nunca vou esquecer isso. Novamente, quero agradecer-te por toda a ajuda que me deste e desta vez também em especial por teres permitido que eu pudesse ver o dia que me levou a escrever estas palavras e por teres feito tanto por que esse dia pudesse chegar. Acho que nunca te vou poder retribuir tudo isso por isso espero que a vida o faça, e tenho confiança que o vai fazer, seria no mínimo justo. Quanto à imagem, desta vez foi mesmo uma foto tirada por mim, nesses lindos sitios que me rejuvenescem a alma, nos arredores de Amarante. Não foi tirada nestes últimos dias em que lá estive mas sim em Janeiro. Sempre foi das minhas fotos preferidas das que tirei nessa altura mas agora sim, acho-a mais adaptada que nunca ao colocá-la com este poema, acho que é o melhor que consigo arranjar para transmitir a ideia deste poema. Deixo então o poema em seguida após mencionar que o texto que acabei de escrever está provavelmente cheio de erros ortográficos devido às horas que são :D:





I walk away from past's misty grave
Finally dry from past's sorrowful sea
Remembering I was once it's slave
But now my soul finally pulses free

It is so beautifully green
And so intensely bright
Brought by forces unseen
But bringing tears at its sight

The beautiful path of infinity
With its strong and unique glow
The very essence of destiny
In Nature's gleaming flow

Towards infinity and through the woods
I float in the winds of destiny
And this seed of energy slowly spreads
Shielding me against any enemy

I walk in this path of leaves
The brightest forest in my sight
And in every tree that waves
I feel this harmonious might

sexta-feira, abril 14, 2006

Golden Dawn


Bem, este poema para variar vem um pouco desactualizado. Simplesmente ultimamente com tanta coisa pra fazer, com tanta coisa nova a aparecer, com tanta coisa em tanto sitio, tem faltado o tempo (ok, e paciência também :D) para vir aqui e então atrasei-me um bocado com 2 poemas e este é um deles, se tiver paciência amanhã ou assim deixo aqui o outro :D. Bem, este aqui é de uma certa forma semelhante ao anterior, a começar pelo facto de serem novamente palavras dirigidas à Natureza, à qual nunca conseguirei dedicar palavras que cheguem para exprimir aquilo que ela me transmite. Este poema, como indica o nome, foi mesmo escrito ao amanhecer, e por acaso bem dourado em certas alturas, dourado e brilhante, um brilho que representava bem a altura, em que muitas vidas, assim como a própria Natureza, renovavam ciclos, num brilhante amanhecer. Este poema já foi escrito há mais de 2 semanas (ah, e destaca-se também por ter sido escrito numa camionete, não é coisa propriamente comum :D) e com coisas que aconteceram entretanto (é possível unir a nossa alma à Natureza, mas nunca será possível prevê-la, e parte da beleza dela reside nisso mesmo) alguns versos, mais propriamente "The same gentle light inside me has grown And now shields my soul from the stray blades of insanity" já não são tão verdadeiros, assim como muitas situações que me motivaram a escrever este poema se encontram agora de uma certa maneira resolvidas (e não estou a falar da situação que me perseguiu durante um ano, essa é mencionada não neste poema mas no outro que também não publiquei na altura :D). Bem, não gosto muito de falar de poemas que escrevi já há um tempo porque gosto de sentir bem o que estou a dizer quando falo com eles e isso só é verdadeiramente possível publicando-os mal os escrevo, mas acho que o poema em si dá bem a noção dos meus sentimentos nesse amanhecer e nessa manhã e nos objectivos que em mim se introduziram por essa altura. Quanto à imagem, não está com grande qualidade (a culpa é do vidro da camionete :D) mas a foto foi tirada no sitio e altura em que o poema foi escrito e capta de uma certa maneira a paisagem que me levou a escrevê-lo por isso achei que não haveria imagem mais adequada para o acompanhar. Deixo então aqui essas palavras:




Once again, so beautifully you begin your chapter
Only your light of birth can be seen in future's mist
Leading our souls away from merciless slaughter
Your bright light of hope allowing our fears to rest

Soft and purifying, the light of this golden dawn
Guiding our souls through fate's sacred infinity
The same gentle light inside me has grown
And now shields my soul from the stray blades of insanity

The enlightened plains of hope
Shall not turn into gardens of pain
No one shall cut Nature's binding rope
Such efforts will never be in vain

In every leaf I feel that bondage
Your essence floats in the refreshing air
And I'll never let the flames of common knowledge
Burn your harmonious forests into despair

Your binding presence guides and refreshes my spirit
Allows me to carry your leaf-shaped sword
Now it's my turn, I shall let the world feel it
I shall spread your beautiful balance through your harmonious word